sábado, 21 de janeiro de 2012

Ela

Capitulo IV - Singular

Esse é o dia que eu odeio lembrar, mas tento nunca esquecer.
Estava chovendo muito e eu voltava do mercado, comprei alguns biscoitos e refrigerante pra ver o filme da que passava a tarde, era ferias de julho, eu estava muito atoa, começou a cair granizo e eu comecei a correr então vi aquela pessoa na rua, beirando a calçada e andando como se nada tivesse acontecendo. La estava Amélia, ensopada, parecia triste, de cabeça erguida fui até ela:
- Menina você é loca, essas pedras de gelo estão machucando, você é a Amélia da minha sala não é? Vem entra.
-Ahm?- um pequeno gemido saiu da boca dela.

Ela estava totalmente molhada e suja, levei ela até meu quarto e pedi pra que ela me esperasse, fiz chocolate quente e lhe trouxe uma toalha.
-Quarto legal, quantos posters você tem né? - ela disse
-É o cara da locadora me deu, toma, eu trouxe chocolate e pode se enxugar com isso, pode pegar uma roupa seca na minha gaveta e usar se quiser, uma pena eu não ter uma irmã pra lhe emprestar as roupas dela- As palavras tavam saindo facil demais, eu estava nervoso.
Ela ficou me encarando até que eu notei e disse:
-pega a roupa e vai até o banheiro, aqui em casa a gente não tem a mania de trocar de roupa no quarto...- Estava realmente saindo muito facil as palavras até que uma burrada fatal me condenou
-... a não ser que vc queira ficar nua na minha frente- resmunguei essas palavras e logo fingir ter tucido, o que passou na minha cabeça? Isso é quase um roteiro porno barato.
Foi quando ela realmente começou a despir-se em minha frente, sem saber o que fazer eu virei o rosto ja vermelho coloquei a minha toalha nos ombros, então um estrondo muito nervoso que parecia rasgar o céu e parti ele em pedaços ecoou, um raio muito forte que parecia cair no meu quintal, meu cachorro entrou em casa como um jato, e eu senti aquele abraço forte em minhas costas, meu corpo ainda molhado e frio sentia a melhor sensação do mundo.
-Desculpa, foi sem querer foi só o raio- ela disse
-Tudo bem, se troca logo-
Ela ja estava vestida quando virei denovo, peguei minha roupa e fui pro banheiro, me troquei quando volto ela estava olhando o quarto, parecia até ta procurando alguma coisa.
-Seu quarto é realmente muito legal. - Ela repetiu - Posso usar seu computador-
-Claro, fica avontade- eu estava mais que nervoso, ela usava somente a minha camisa mais larga e uma roupa de baixo.
Fiquei sentado na cama, olhando, outro raio caiu, esse parecia até que ia me deixar surdo, queimou meu computador, oh droga, meu computador, fiquei com muito raiva nessa hora.
-Quem deixou você ligar o computador- Eu disse, e como fui burro.
-ora, foi você mesmo- disse ela com um sorriso lindo.
Ela sentou do meu lado, não muito perto.
-Você é o carinha inteligente da sala, obrigado me ajudou muito hoje- disse ela sorrindo e mechendo os dedos, era quase um tique dela, já havia visto ela fazer isso antes.
-Olha, alguém notou alguma qualidade minha, obrigado- disse com um tom de voz irônico.
-E qual o seu defeito?- ela perguntou com mais ironia ainda.
Foi quando não aguentei mais me segurar, minhas pernas tremiam e meu braço também, meu corpo parecia mais leve, cheguei mais perto e ela se afastou um pouco, mais um raio partia o céu ao meio e eu a beijei. Meu coração batia forte não sei se era medo do raio ter caido muito perto ou daquele momento, eu quem pausei aquilo. A partir desse momento, tava assinado meu contrato de depressão com gosto de chocolate.
Ela ficou meio nervosa e não me olhava mais nos olhos, eu tinha me esquecido de ler as linhas miúdas no contrato, e nessa linha miúda estava escrito "Pedro".
Sou mesmo um idiota completo.

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