domingo, 22 de janeiro de 2012

Eles

Capitulo V - Plural
Bom, depois daquele dia na minha casa, eu levei ela até a casa dela que nem era tão longe assim, só uns 8 quarteiroes da minha, depois disso meus outros 14 dias de ferias iam ser um saco.
E eu comecei a ir na rua mesmo pra fazer nada, pra ver se tinha sorte de encontrar ela por ali denovo e falar com ela, esperar tantos dias até encontrar ela na aula ia ser um saco.
Não adiantou muito, passei algumas vezes na rua dela, de proposito também, e só a vi uma unica vez, ela tava na janela falando no telefone, devia ser uma garota, dava pra ouvir a empolgação dela, e varias vezes algo como "sério" "mentiiira" essas coisas.
Eu estava só passando por ali, então continuei andando, mas não parei de andar. Então nossos olhares se encontraram e parecia esgrima entre dois espadashins, olhavamos juntos um pro outro e desviavamos o olhar ao mesmo tampo e olhavamos denovo e isso ia se repetindo até eu passar completamente pela casa dela. Depois disso não andei mais na rua até o final das ferias.
No final, acabei a encontrando na biblioteca do colégio, ela e muita gente da nossa classe, todo mundo que não tinha o livro foi comprar lá no ultimo dia, parecia um caos total de racionamento de comida pro apocalipse. Ele também tava lá, ele tava com os amigos dele, que não sei se são amigos ou baba ovo, ele abraçou ela por trás, e falou alguma coisa no ouvido dela, ela parecia não ter gostado do que ouviu. Mas ela não desgrudou mais dele nem um segundo. Bom, não tinha nem com eu ir falar com ela, ela tava com ele, eles estavam sozinhos e são um casal. Eu fui pra casa sem livro, uma voz na minha cabeça dizia: "É um saco esperar essa fila enorme" enquanto na verdade eu pensava: "É um saco ver os dois juntos"
Eu ia embora, encostei no ponto de onibus cansado e pra minha felicidade, tava la o nome dos dois escrito na pilasta.
-Que saco.- Olhei pro alto e disse: -Você só pode ta me zuando-
Sim ele tava me zuando, senti o clima mais pesado da minha vida, os dois vinham na minha direção, e de mãos dadas.
-Olha, ninguém tiro nosso nome dali ainda- Disse o Pedro pra amélia
-Éééé...- era só o que ela dizia.
Então ele a beijava, era estranho, não era aqueles beijos de filme, ele beijava ela de olhos abertos, e me encarava.
Eu abri um sorriso ironico nessa cena pq logo pensei "ele deve ta beijando ela, olhando pra mim, e imaginando eu beijando ele, é um boiola mesmo"
Acho que ele deve ter ficado com raiva, ele parou de beijar ela e logo subiu no onibus com ela. Que momento tenso, pensei que fosse tomar uma surra por que eu sorri daquele jeito.
Cheguei em casa, e me senti bem, sabe aqueles filmes onde o bandido é fodão e ainda é o mocinho, tipo 11 homens e um segredo, mas era só 1.
A noite me atordoava, que merda nem consigo dormir.
Voltava as aulas, e la estavam os dois. Ela olhava pra mim de rabo de olho, eu notava é claro, não parava de olhar pra ela, e ficava todo bobo me achando o fodão quando pegava ela me olhando. Eu gosto muito de filmes e sei que você já deve ter visto um onde tem o garoto legal e o cara escroto, e o garoto legal ficava com a garota bonita no final.
O problema é que eu não sou o cara legal, fico pensando em um monte de coisas pra eles terminarem o namoro deles logo e outra, só não gosto dele por causa do nome. Ai eu fico pensando: "Vai ver eu gosto dela só por que não gosto dele". E ele não é o cara escroto, só é bom em tudo que faz e é namorado dela. E agora? Não tem nem como eu pensar em alguma coisa.
Eu estava no banheiro pensando alto enquanto mijava:
-Vai ver eu tenho 1% de chance de ficar com ela-
-1%? acho que tem 2%- Era a voz da Amélia, que incrivel.
Nem balancei direito, guardei meu pinto e ainda devo ter sujado a cueca toda de mijo enquanto ela ria:
-Que burro, se fizer esse tipo de coisa denovo acho que vai descer pra 1%- E ela sorriu
-É o que?- Eu tava atordoado, acho que tomei com um martelo na cabeça.
-Sua chance de ficar com essa garota, deve ser 2%. Você gosta muito dela?- ela perguntou
-Talvez... Eu ainda não descidi isso- Eu respondi, era a verdade.
-Então, pense assim, você tem uma doença terminal, e tem 2% de chance de ficar vivo na operação ou morrer dois dias depois, é melhor prolongar a vida em um dia ou arriscar 2%?- Ela saiu do banheiro acenando com as mãos.
-Tchau- Eu disse
Estado terminal de doença? era pra eu ficar feliz com isso?
Quando eu sai do banheiro, um cara gritou:
-O Nick mijou nas calças-
Que babaca infiel, tomara que morra, era só uma pocinha, podia ser agua, mas mesmo que fosse, eu ia ser zuado.
Ela tava encostada no Pedro, e ele meio que riu mas tento fingir que não era comigo.
E ela me mostrou o dedo indicador, eu logo entendi, era o número 1.
Voltei pra casa, e só denoite eu conseguia pensar nas coisas com mais sentido:
-Eles se merecem... vadia escrota.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Ela

Capitulo IV - Singular

Esse é o dia que eu odeio lembrar, mas tento nunca esquecer.
Estava chovendo muito e eu voltava do mercado, comprei alguns biscoitos e refrigerante pra ver o filme da que passava a tarde, era ferias de julho, eu estava muito atoa, começou a cair granizo e eu comecei a correr então vi aquela pessoa na rua, beirando a calçada e andando como se nada tivesse acontecendo. La estava Amélia, ensopada, parecia triste, de cabeça erguida fui até ela:
- Menina você é loca, essas pedras de gelo estão machucando, você é a Amélia da minha sala não é? Vem entra.
-Ahm?- um pequeno gemido saiu da boca dela.

Ela estava totalmente molhada e suja, levei ela até meu quarto e pedi pra que ela me esperasse, fiz chocolate quente e lhe trouxe uma toalha.
-Quarto legal, quantos posters você tem né? - ela disse
-É o cara da locadora me deu, toma, eu trouxe chocolate e pode se enxugar com isso, pode pegar uma roupa seca na minha gaveta e usar se quiser, uma pena eu não ter uma irmã pra lhe emprestar as roupas dela- As palavras tavam saindo facil demais, eu estava nervoso.
Ela ficou me encarando até que eu notei e disse:
-pega a roupa e vai até o banheiro, aqui em casa a gente não tem a mania de trocar de roupa no quarto...- Estava realmente saindo muito facil as palavras até que uma burrada fatal me condenou
-... a não ser que vc queira ficar nua na minha frente- resmunguei essas palavras e logo fingir ter tucido, o que passou na minha cabeça? Isso é quase um roteiro porno barato.
Foi quando ela realmente começou a despir-se em minha frente, sem saber o que fazer eu virei o rosto ja vermelho coloquei a minha toalha nos ombros, então um estrondo muito nervoso que parecia rasgar o céu e parti ele em pedaços ecoou, um raio muito forte que parecia cair no meu quintal, meu cachorro entrou em casa como um jato, e eu senti aquele abraço forte em minhas costas, meu corpo ainda molhado e frio sentia a melhor sensação do mundo.
-Desculpa, foi sem querer foi só o raio- ela disse
-Tudo bem, se troca logo-
Ela ja estava vestida quando virei denovo, peguei minha roupa e fui pro banheiro, me troquei quando volto ela estava olhando o quarto, parecia até ta procurando alguma coisa.
-Seu quarto é realmente muito legal. - Ela repetiu - Posso usar seu computador-
-Claro, fica avontade- eu estava mais que nervoso, ela usava somente a minha camisa mais larga e uma roupa de baixo.
Fiquei sentado na cama, olhando, outro raio caiu, esse parecia até que ia me deixar surdo, queimou meu computador, oh droga, meu computador, fiquei com muito raiva nessa hora.
-Quem deixou você ligar o computador- Eu disse, e como fui burro.
-ora, foi você mesmo- disse ela com um sorriso lindo.
Ela sentou do meu lado, não muito perto.
-Você é o carinha inteligente da sala, obrigado me ajudou muito hoje- disse ela sorrindo e mechendo os dedos, era quase um tique dela, já havia visto ela fazer isso antes.
-Olha, alguém notou alguma qualidade minha, obrigado- disse com um tom de voz irônico.
-E qual o seu defeito?- ela perguntou com mais ironia ainda.
Foi quando não aguentei mais me segurar, minhas pernas tremiam e meu braço também, meu corpo parecia mais leve, cheguei mais perto e ela se afastou um pouco, mais um raio partia o céu ao meio e eu a beijei. Meu coração batia forte não sei se era medo do raio ter caido muito perto ou daquele momento, eu quem pausei aquilo. A partir desse momento, tava assinado meu contrato de depressão com gosto de chocolate.
Ela ficou meio nervosa e não me olhava mais nos olhos, eu tinha me esquecido de ler as linhas miúdas no contrato, e nessa linha miúda estava escrito "Pedro".
Sou mesmo um idiota completo.